Classe média vai pegar uma nova onda de consumo

24 Julho 2014 15:42:19

Se nos últimos dez anos o Brasil assistiu a uma ascensão sem precedentes de famílias pobres para a classe média, no restante desta década nota-se uma nova tendência: um crescimento na sofisticação do consumo desta nova classe média. Para atingir esse público, as empresas também devem conhecer e se adaptar ao novo estilo destes brasileiros. É o que afirma o novo estudo do Boston Consulting Group (BCG) “Redefinindo a Classe Média Brasileira – como se preparar para a nova onda de crescimento do consumo”.

Os achados do levantamento são baseados numa nova metodologia desenvolvida pelo Centro de Pesquisa em Consumo do BCG. Foram analisadas as “curvas de consumo”, que comparam a renda familiar com o consumo de mais de 200 produtos no Brasil. Os resultados apontam uma mudança significativa do gasto das famílias.

“Nós acreditamos que estas mudanças no consumo devem fazer com que se criem novas estratégias efetivas para impactar a classe média. Diante disso, as empresas podem prever melhor quando e onde as vendas de seus produtos e serviços têm potencial para decolar e quando serão necessários ajustes, uma vez que as famílias exigem cada vez mais produtos de alto valor agregado”, afirma Olavo Cunha, sócio do BCG e um dos autores do estudo.

Os emergentes vão optar por planos de celular pré-pago ao invés dos planos pós-pago. Também irão preferir os sucos prontos para beber no lugar daqueles concentrados (que vem em pó)

O BCG estima que cerca de 5,3 milhões de famílias brasileiras vão aderir à classe denominada de Emergente (renda domiciliar mensal entre R$ 2.500-5.000) em 2020. É justamente essa fatia da população que vai exigir maior sofisticação dos serviços. Por exemplo, vão optar por planos de celular pré-pago ao invés dos planos pós-pago. Também irão preferir os sucos prontos para beber no lugar daqueles concentrados (que vem em pó).

Além disso, milhões de famílias devem ascender à classe chamada de Estabelecidos (renda familiar mensal entre R$ 5.000-7.500): eles irão aumentar consideravelmente os gastos em novas categorias de produtos e serviços, como fundos de investimento, educação privada, planos de saúde e viagens aéreas.

Estima-se que, ao todo, as famílias de classe média (Emergente e Estabelecidos) e a denominada de Afluentes (com renda mensal domiciliar a partir de R$ 7.500) representem 37% do total de famílias brasileiras em 2020, enquanto atualmente são 29%. Uma década atrás, eram 24%. Essas famílias também serão responsáveis por aproximadamente 85% dos gastos em consumo que devem atingir R$ 3.2 trilhões até o fim desta década.

Com o grande número de famílias saindo da linha da pobreza, nota-se um ótimo momento para promover marcas mais sofisticadas para essa população

A análise das “curvas de consumo” e as tendências demográficas podem ajudar as empresas a montar uma estratégia para prosperar em diversos segmentos. “Até agora, muitas empresas têm apostado em produtos de baixo custo já que é o que uma fatia grande da população pode comprar”, afirma Rim Abida, diretora do BCG e coautora do estudo.

“Com o grande número de famílias saindo da linha da pobreza, nota-se um ótimo momento para promover marcas mais sofisticadas para essa população, que cada vez mais, melhora seu estilo de vida e caminha para um estilo de vida semelhante a dos Afluentes”, conclui.

As empresas também devem reavaliar suas localizações geográficas no Brasil. Atualmente, a maioria delas concentra-se nas regiões Sudeste e Sul, que são historicamente mais prósperas. Porém, o crescimento mais rápido de pessoas das classes média e Afluentes nos próximos anos será no Norte e Nordeste, incluindo o interior do país.

Cidades com menos de 500 mil habitantes serão responsáveis por cerca de dois terços do consumo no Brasil até 2020. “Isto mostra que as companhias devem aumentar sua presença em mais cidades brasileiras para atingir a mesma proporção de famílias que atendem hoje”, afirma Rim, principal do BCG e coautora do estudo.

O estudo projeta ainda que as empresas devem ter instalações em 405 cidades para chegar a 75% das famílias de classe média e rica no Brasil em 2020. Atualmente, são 345 cidades. Importante lembrar que o comportamento do consumidor pode variar de região para região, mesmo entre as famílias com rendimentos semelhantes. "Empresas devem adequar sua estratégia de go-to-market para capturar estas oportunidades locais."

Como são definidas as classes:
Subsistentes - R$500 renda domiciliar mensal
Limitados - R$500-2.500 renda domiciliar mensal
Emergentes –R$2.500-5.000 renda domiciliar mensal
Estabelecidos –R$5.000-7.500 renda domiciliar mensal
Afluentes – R$7.500 renda domiciliar mensal

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