Ministério da Saúde alerta viajantes para eliminação dos criadouros do Aedes aegypti

22 Dezembro 2015 14:59:18

Todos devem adotar as medidas de prevenção em casa para evitar a 
proliferação do mosquito antes de sair de férias. Essas ações ganham ainda o 
reforço de mais de 266 mil agentes comunitários de saúde de todo o país

As medidas de combate ao Aedes aegypti devem ser reforçadas nas férias e 
festas de fim de ano, período marcado por chuvas em muitos estados do país e 
com maior circulação de pessoas. Para reforçar a importância de eliminar os 
focos do mosquito, o Ministério da Saúde recomenda aos viajantes que, antes 
de saírem de suas casas, façam uma vistoria para eliminar os recipientes que 
possam acumular água parada e servir como criadouro do mosquito.

“Se hoje não temos uma vacina para o Zika, chikungunya ou dengue, ou alguma 
tecnologia inovadora pronta para ser utilizada imediatamente, a ação mais 
efetiva é eliminar os focos do mosquito Aedes aegypti. Por isso, é 
importante fazer um grande apelo à sociedade: antes de sair de férias, 
descarte corretamente latas, garrafas, embalagens de presentes, todo e 
qualquer recipiente que possa acumular água parada. Casa vazia não pode 
servir de criadouro do mosquito. Dessa maneira, com a ajuda de governos 
federal, municipal e toda a população, vamos fazer uma grande mobilização 
nacional para combater o mosquito”, reforçou o secretário de Vigilância em 
Saúde, Antônio Nardi.

O ciclo de reprodução do mosquito, do ovo à forma adulta, pode levar de 5 a 
10 dias. Por isso, mesmo em uma viagem curta, é preciso estar atento. Um 
balde esquecido no quintal ou um pratinho de planta na varanda do 
apartamento, após uma chuva, podem facilmente se tornar um foco do mosquito 
e afetar toda a vizinhança. É importante verificar se a caixa d’água está 
vedada, a calha totalmente limpa, pneus sem água e em lugares cobertos, 
garrafas e baldes vazios e com a boca virada para baixo, entre outras 
pequenas ações que podem evitar o nascimento do mosquito.

Os ovos do mosquito podem ficar aderidos às laterais internas e externas dos 
recipientes por até um ano sem água. Se durante este período os ovos 
entrarem em contato com água, o ciclo evolutivo recomeça e, consequentemente 
a transmissão. Por isso, é necessário lavar os recipientes com água e sabão, 
utilizando uma bucha. Não importa se você mora em casa ou apartamento, o 
mosquito Aedes aegypti pode encontrar um recipiente com água parada para 
depositar os ovos e se reproduzir. São suficientes 15 minutos por semana 
para fazer a vistoria em toda casa e eliminar todos os possíveis focos do 
mosquito.

O secretário de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame, reforçou a importância da 
manutenção das doações de sangue, especialmente para a permanência dos 
estoques de todo o País, em particular no período de férias, quando há maior 
demanda por transfusões. O secretário também destacou as recomendações para 
triagem clínica dos possíveis doadores nos hemocentros, com a intensificação 
das perguntas sobre a ocorrência de doenças recentes e sintomas que possam 
indicar infecção, inclusive pelo vírus Zika.

O Ministério da Saúde, além do reforço do questionário, orienta ainda que os 
doadores não deixam de informar, até sete dias depois, de ocorrência de 
sintomas que possam indicar alguma doença para a busca ativa de informações 
clínicas e laboratoriais de possíveis receptores. “O Ministério da Saúde 
está agindo preventivamente, reforçando as orientações aos hemocentros e 
pedindo para a população continuar com as doações de sangue, principalmente 
nessa época do ano quando ocorre uma tendência de queda nas doações”, 
ressaltou Beltrame.

AGENTE COMUNITÁRIO – As ações de combate aos criadouros do mosquito Aedes 
aegypti e o cuidado com os criadouros do mosquito ganham, em todo o país, o 
reforço de mais de 266 mil agentes comunitários de saúde. Os profissionais 
se juntam aos 43.920 agentes de combate às endemias que já realizam o 
serviço junto à comunidade. A portaria com a inclusão das novas atribuições 
foi publicada no Diário Oficial da União desta semana.

A medida intensifica as ações relacionadas a vigilância à saúde das equipes 
de atenção básica prevista na Política Nacional de Atenção Básica. A 
portaria prevê o esforço das equipes de saúde em trabalhar a educação em 
saúde na população, além de mobilizar a participação da comunidade no 
controle social. Entre as ações, estão visitas domiciliares para verificar 
situações de risco para a dengue, malária, leishmaniose e outras doenças.

MICROCEFALIA – Nesta terça-feira (22), o Ministério da Saúde atualizou os 
dados de microcefalia relacionados à infecção pelo vírus Zika. De acordo com 
o novo Boletim Epidemiológico, foram notificados 2.782 casos suspeitos da 
doença e 40 óbitos, até 19 de dezembro. Esses casos estão distribuídos em 
618 municípios de 20 Unidades da Federação.

A investigação dos casos de microcefalia relacionados ao vírus Zika é feito 
em conjunto com gestores de Saúde de estados e municípios. Equipes técnicas 
de investigação de campo do ministério da Saúde estão trabalhando nos 
estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe e Ceará. 
Atualmente, a circulação do Zika é confirmada por meio de teste PCR, com a 
tecnologia de biologia molecular. A partir da confirmação em uma determinada 
localidade, os outros diagnósticos são feitos clinicamente, por avaliação 
médica dos sintomas.

O Ministério da Saúde capacitou mais 11 laboratórios públicos para realizar 
o diagnóstico de Zika. Contando com as cinco unidades referência no Brasil 
para este tipo de exame, já são 16 centros com o conhecimento para fazer o 
teste. Nos dois próximos meses, a tecnologia será transferida para mais 11 
laboratórios, somando 27 unidades preparadas para analisar 400 amostras por 
mês de casos suspeitos de Zika em todo o país.

MOBILIZAÇÃO NACIONAL – Para a execução das ações do Plano Nacional de 
Enfrentamento à Microcefalia, foi instalada a Sala Nacional de Coordenação e 
Controle para o Enfrentamento à microcefalia. O objetivo é intensificar as 
ações de mobilização e combate ao mosquito Aedes aegypti. Também serão 
instaladas salas estaduais, que contarão com a presença de representantes do 
Ministério da Saúde, Secretarias de Saúde, Educação, Segurança Pública, 
Assistência Social, Defesa Civil e Forças Armadas.

Atualmente, estão implantadas salas em 18 unidades da federação: Acre, 
Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina, 
Tocantins, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Alagoas, Bahia, Espírito 
Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Sergipe e Ceará. Outros quatro 
estados estão em fase de implantação da sala: Pará, Rio Grande do Norte, 
Minas Gerais e São Paulo. Os demais serão orientados pelo Ministério da 
Saúde para a implantação das salas.

LARVICIDAS – O Ministério da Saúde enviou, este mês, larvicida aos estados 
do Nordeste e Sudeste, o suficiente para tratar um volume de água 
equivalente a 3.560 piscinas olímpicas. São mais 17,9 toneladas do produto 
utilizado para eliminar as larvas do mosquito Aedes aegypti. O quantitativo 
é suficiente para proteger 8,9 bilhões de litros de água e corresponde à 
demanda apresentada pelas próprias Secretarias Estaduais de Saúde, levando 
em consideração a situação epidemiológica local e o histórico de consumo.

Em 2015, no total foram enviadas 114,4 toneladas de larvicida para todo o 
país, quantidade suficiente para o tratamento de 57,2 bilhões de litros de 
água. Para o próximo ano, o Ministério da Saúde já adquiriu mais 100 
toneladas do produto, que deverá garantir o abastecimento até junho de 2016, 
um investimento na ordem de R$ 10 milhões.

CASOS COM DIAGNÓSTICO PARA MICROCEFALIA RELACIONADA AO VÍRUS ZIKA

UF

TOTAL NOTIFICADO

MUNICÍPIOS COM CASOS SUSPEITOS

CASOS SUSPEITOS

ÓBITOS SUSPEITOS



DF



11



1



1



GO



40



0



12



MT



78



0



10



MS



3



0



2



AL



114



0



44



BA



271



10



64



CE



127



1



30



MA



88



1



30



PB



429



5



69



PE



1.031



3



150



PI



51



1



21



RN



154



10



42



SE



136



5



40



PA



32



0



8



TO



58



0



27



RS



1



0



1



ES



18



0



10



SP



6



0



6



MG



52



1



33



RJ



82



2



18



Total



2.782



40



618













CASOS DE MICROCEFALIA NOTIFICADOS POR ANO NAS 20 UF COM SUSPEITA DO VÍRUS 
ZIKA em 2015




UF



2010



2011



2012



2013



2014



Pernambuco



7



5



9



10



12



Paraíba



6



2



3



5



5



Rio Grande do Norte



2



2



4



0



1



Sergipe



3



1



2



0



2



Alagoas



3



7



2



3



2



Bahia



12



13



7



14



7



Piauí



1



0



4



4



6



Ceará



8



4



9



5



7



Maranhão



3



2



6



2



2



Tocantins



1



0



1



4



0



Rio de Janeiro



10



15



8



19



10



Goiás



3



4



3



2



3



Distrito Federal



3



3



1



2



2



Mato Grosso do Sul



0



0



1



3



0



São Paulo



25



31



42



43



39



Espírito Santo



2



4



5



4



3



Minas Gerais



20



16



23



13



11



Rio Grande do Sul



0



0



1



3



0



Pará



6



5



11



7



6



Mato Grosso



5



7



2



1



5






CASOS DE MICROCEFALIA NOTIFICADOS POR ANO NO BRASIL







2010



2011



2012



2013



2014



Brasil



153



139



175



167



147

Por Amanda Mendes, da Agência Saúde
Atendimento à Imprensa
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